Etapa 4 – Jornada de Visitas aos Doutores Cidadãos (Hospital São Paulo – 09/09/17)

QUARTA ETAPA DA JORNADA DE VISITAS

Local: Hospital São Paulo

Data: 9 de setembro de 2017

Horário: 11h30 às 13h30

Participantes: Felipe Mello (Dr. Raviolli Bem-te-Vi), Jessica Silva de Souza (Dra. Parafusita) e Sandra Aparecida Alves Dantas (Dra. Alegrini).

 

Diário da Visita (por Felipe Mello):

Esta visita foi marcada pelo caminhar ao encontro dos bons encontros. E no meio do caminho, tchananan, vários bons encontros.

O dia começou com a programação de visitar outro hospital. No entanto, por ocorrências relacionadas aos meus horários e das outras pessoas envolvidas, ficaria muito apertada a visita. Mas, buscando manter a proposta da Jornada recorrente, segui ao Hospital São Paulo, pois sabia que lá estariam outras duas pessoas. Ah, como é bom ter o Calendário de Visitas das(os) voluntárias(os) atualizado e cada vez mais fidedigno.

Pois bem, segui ao Hospital São Paulo. Chegando lá, já por volta das 11h, comecei a procurar pelas voluntárias Dra. Alegrini e Dra. Parafusita. No caminho, após a impossibilidade de ir ao outro hospital, enviei mensagem de texto a elas. Todavia, até chegar ao hospital elas ainda não tinham visualizado. E não visualizaram até o momento em que nos encontramos, mais de uma hora depois. Ponto para elas, que na era digital estavam concentradas nos encontros reais com pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde.

O fato delas não terem visto as minhas mensagens no celular me fez caminhar e caminhar e caminhar pelos 15 andares do hospital, em busca das palhaças. No caminho, felizmente, inúmeras oportunidades de congraçamento, ou ainda, a artesania da graça conjunta.

Papo com dezenas de profissionais:

– Cadê as palhaças?

Papo com vários pacientes:

– Alguém me ajude, por favor.

Papo com inúmeros acompanhantes e visitantes:

– Ah, gente, não é possível, já subi e desci essas escadas mais de mil vezes. Socorro, assim ficarei com as pernas mais fortes que as do Neymar!

O pior é que eu estava em busca delas mesmo, e o povo todo achando que eu estava de palhaçada. Às vezes, ser palhaço é um desafio. Mas, ô, desafio bom. Tanto que, mesmo sem saber me dizer para onde ir, a cada topada com gente diferente vinha a boa receptividade à descontração, ao cumprimento tímido, mas, positivo, ou ainda, as boas palavras de estímulo. Mal sabem todos eles que era o palhaço aqui que festejava e se vitaminava com cada encontro bem sucedido.

Numa das entradas no elevador, porque ninguém é de ferro e as escadas já estavam consumindo as últimas gotas de minha energia física, me encontrei com um jovem marido de uma jovem esposa com câncer. Ele, espontaneamente, olhou para mim e não segurou o riso. Ri junto e perguntei para onde ele ia. Já que eu não sabia para onde eu estava indo, quem sabe a sorte me sorrisse se eu o acompanhasse. Ele estava indo visitar a minha mulher. Minha mulher, disse ele. E eu repeti: minha mulher. Enfim, gracejos infinitos e fomos juntos visitar a nossa mulher. Ela estava no quarto uma senhora linda, repleta de energia. Durante os minutos seguintes, muitas caras boas, torcidas recíprocas, votos de saúde e risadas gostosas como apertar o gordinho das patinhas dos gatinhos.

Eu estava perdido. Mas, absoltamente entregue aos encontros espontâneos. Aliás, quem sabe o caminho? Pra valer, mesmo? Que sabe exatamente para onde está indo e como será a jornada? Sinto informar, mas ninguém. Se é assim, que viva em nós a capacidade de jogar, brincar e receber aquilo que o acaso, ou a vida mesmo, venha a nos oferecer. Saí do quarto sem respostas, mas alegre com os encontros em meio aos desencontros.

Enfim, recebi uma pista afirmativa:

– As palhaças estão no andar de cima.

Como eu ja tinha ouvido isso várias vezes, nem me animei muito. Mas lá fui eu, pela quarta vez, ao andar citado. Quando eu cheguei lá, elas estavam saindo do elevador para desembarcar no mesmo andar. Ou seja, a informação estava errada, pois elas não estavam naquele andar, mas lá desceram para ir à Sala da Enfermagem. Elas estavam encerrando a atuação do dia. Ambas as palhaças se surpreenderam com a minha presença, mas, ao menos aparentemente, demonstraram alegria por me ver.

Conversamos bastante a partir de então. Elas contaram sobre uma senhora que visitaram, e que de tão agradecida, mas de tão agradecida com a visita, emocionara ambas. Elas me disseram que a senhora ficara muito, mas muito feliz, a ponto de lacrimejar e fazer lacrimejar olhos diversos. Assim como me narraram o encontro com um senhor na UTI da Cardiologia, que de tenso no momento da chegada delas, transmutou-se em sorridente no momento da partida.

Durante o nosso papo, uma Técnica de Enfermagem se aproximou e disse que nutre profunda admiração pelo nosso trabalho. Perguntei o motivo. Ela disse simplesmente “porque sim, porque o que vocês fazem traz um apoio impossível de traduzir em palavras”. As palhaças e os palhaços ficaram felizes demais com a resposta. Assim como ouvi algo parecido de outra Enfermeira, já na sala de Enfermagem, que fez questão de ressaltar o quanto a presença da arte em hospital faz bem também para a equipe.

Além de todas essas andanças, encontros e desencontros, ainda conversei com as voluntárias sobre o Acordo de Responsabilidades. Felizmente, ambas se mostraram bastante tranquilas, pois a novidade não trouxe quase nada de desafio, pois elas já estão acostumadas a cumprir o seu calendário de visitas, conforme o prometido.

Sugestões foram transmitidas, abraços foram compartilhados e a promessa de um retorno rápido para, enfim, uma atuação em conjunto. Obrigado, meninas, pela acolhida generosa e, especialmente, pela responsabilidade no cumprimento dos combinados. Que venham novos encontros!

Acompanhe o vídeo com o depoimento das voluntárias Dra. Alegrini e Dra. Parafusita

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